Sexta-feira, 16 de Junho de 2006

O Triângulo das Bermudas e a Patrulha Perdida

Entre os muitos mistérios que infestam os oceanos, talvez nenhum seja mais bem conhecido ou mais deficientemente compreendido do que o referente a uma área
em forma de cunha do Atlântico Ocidental: O Triângulo das Bermudas. De acordo como a lenda, centenas de navios e milhares de seres humanos desapareceram
neste sinistro cemitério marinho situado entre a Flórida, as Bermudas e Porto Rico. O número de desaparecidos, segundo consta, excede as leis da probalidade.
No entanto, parece não haver qualquer razão para que o Triângulo seja uma armadilha mortal - se o é - e ainda menos para que as suas vitimas deixem tão
poucas provas do seu destino.
 Quase todas as teorias imagináveis foram e ainda tem sido apresentadas para explicar o “azar” do Triângulo das Bermudas. Houve até quem sugerisse que poderia
ser uma área de uma tal alteração de força gravitacional e de uma tal declinação magnética que nela os rádios falham e as bússolas fornecem leituras erradas.
Outros culpam radiações provenientes de maquinaria ainda em funcionamento no continente perdido da Atlântida. E vários autores ventilaram a hipótese de
o Triângulo ser eventualmente um terreno de caça de visitantes alienígenas. Dizem que no início de dezembro de 1945, na ocasião do célebre desaparecimento
dos poderosos monomotores torpedeiros - cinco Avengers (livro Berlitz , pág 62)- foram assinalados na região de Fort Lauderdale(Florida), objetos voadores
cilíndricos ou em forma de charutos de grande dimensões. Um radioamador chegou a afirmar que captara alguns minutos após a última mensagem recebida pela
torre de controle, as seguintes palavras: “Não venham à minha procura...Dir-se-ia que se trata de extraterrestres!”
E quanto ao relâmpago que riscou os céus na noite que foi avistado a presumível explosão de um avião Mariner (livro Berlitz , pág 63) que saíra em socorro
dos Avengers, contam que foi assinalado a passagem de um engenho voador vindo do espaço. E tem mais: quando um quadrimotor Tudor IV foi dado como desaparecido
em janeiro de 1949, uma das pistas em vão seguidas, centralizou-se sobre uma curiosa luz cintilante assinalada sobre o mar nas manhã de 18 de janeiro.
Em março do ano seguinte, o desaparecimento de um U.S. Globemaster coincidiu aproximadamente com a observação pela Marinha dos Estados Unidos de um OVNI
luminoso. Contam ainda que outras manifestações de OVNIS ocorreram no momento em que se registrara a perda de um Super Constellation da U.S. Navy em 30
de outubro de 1954, do navio tanque Southern Districts no dia 5 de dezembro do mesmo ano, e quantos outros mais, tais como os dois desaparecimentos ocorridos
ao largo da costa da Florida - o Speed Artist e o Imbross - tiveram lugar em dezembro de 1975, dois dias após quando observadores terem dito que tinha
sido observado um OVNI gigante sobre Saint Johns River.
Mais longinquamente, atribuem-se ainda aos OVNIS as tragédias dos barcos Mary Celeste, do Ellen Austin e do Freya, este último, um veleiro alemão de três
mastros encontrado à deriva, adernado e desmastreado, em 20 de outubro de 1902. Ora, na década de 50 do século passado, ao evocar estes três enigmas do
mar do Triângulo, um astrônomo norte-americano de nome Karl Jessup concluiu pela presença de uma “força agindo de cima com uma potência considerável e
uma rapidez inacreditável”. Para o astrônomo o caráter “impiedoso e seletivo” de uma ação deste gênero, com “determinados sintomas de dissimulação”, eram
traços reveladores de inteligência. E quando Jessup veio a morrer asfixiado no seu automóvel em 20 de abril de 1959, um dos partidários das sua teses,
havia tido que o acidente “sublinha os perigos que representam investigações demasiado aprofundadas neste domínio”.
Ricos em explicações, foram outros tantos que procuravam fornecer a chave de grande número de “enigmas” do Triângulo. Para M.B.Dyskhoorn - perito em parapsicologia
- não existiam dúvidas: “há no Triângulo das Bermudas um abismo gigantesco com um turbilhão provocado por uma fenda no fundo do oceano, devido talvez ao
arrefecimento do interior da terra. E disse o perito que quando esse turbilhão atingia a superfície, todo o ar limítrofe era aspirado, “arrastando aviões
que voam a mais de 3000 metros e os navios de maior calado”.
Surpreendentemente, a lorota sensacionalista que criaram em torno do Triângulo das Bermudas é relativamente recente, ou seja, longe de ser uma lenda imemorial,
ela parece ter tido origem num artigo escrito por Vicent H. Gaddis para a revista Argosy em 1964. Em breve se lhe seguiram outros artigos de outros escritores,
na sua maioria emprestando novas formas às afirmações de Gaddis. Mas talvez ninguém tivesse sido mais obcecado pelo Triângulo das Bermudas do que um tal
Ivan T. Sanderson um prolífico escritor de temas ocultos. Sanderson não só aceitou as afirmações de Gaddis, como sugeriu ainda que o Triângulo era uma
entre várias regiões misteriosamente letais - “vórtices perversos” , chamava-lhes Sanderson - regularmente distanciadas no Globo.
Cerca de 1973, a idéia de um Triângulo das Bermudas estabelecera-se tão firmemente na imaginação pública que a Enciclopédia Britânica decidiu conceder-lhe
um rubrica. Nesse mesmo ano, foi publicado o primeiro best seller sobre o tema, Limbo of the Lost, da autoria de John Wallace Spencer. No ano seguinte,
apareceu o maior best seller de todos, The Bermuda Triangle, de Charles Berlitz. Mas em seguida, em 1975, o pesquisador Lawrence David Kusche publicou
a obra The Bermuda Triangle Mystery - Solved, a qual confronta as afirmativas dos autores anteriores, principalmente as do ficcionista Charles Berlitz.
O pesquisador Lawrence Kusche, obstinou-se, sobretudo, em destruir as explicações pseudocientíficas que rodeiam como uma auréola a lenda do Triângulo.
Consequentemente, recorda que a Marinha dos Estados Unidos mandou efetuar um série de testes na região, com vista a provar a inexistência de perturbações
magnéticas(estes testes, conhecidos pelo nome de Projeto Magnet, não tinham por finalidade desvendar o mistério do Triângulo das Bermudas, mas estavam
integrados num vasto programa de estudos que abrangia o conjunto do Globo e visava a atualização das cartas de navegação). Sempre segundo Kusche, a anomalia
magnética é um fenômeno normal num avião que oscila de um lado para o outro ou num navio que balança.
Cuidadosamente, Kusche analisou relatórios de perdas de navios e aviões no Triângulo desde cerca de 1800; descobriu que muitos dos desaparecimentos considerados
inexplicáveis ou nunca ocorreram ou eram perfeitamente explicáveis. Entre eles figura o navio Bella.
Típica do raciocínio de Kusche foi a análise a que ele submeteu um dos mais célebres desaparecimentos do Triângulo das Bermudas: o incidente da Patrulha
Perdida. Segundo a história, cinco aviões torpedeiros Grumman Avenger, com base em Fort Lauderdale, desapareceram no Triângulo, durante uma patrulha de
rotina, em 5 de dezembro de 1945. O incidente da Patrulha Perdida foi certamente bizarro. Mas diante da análise de Kusche, o incidente dificilmente poderá
ser considerado inexplicável. Como Kusche bem observa sobre a lenda do Triângulo: “Ela começou devido a investigações descuidadas, e foi elaborada e perpetuada
por escritores que, quer propositada, quer involuntariamente, utilizaram concepções deturpadas, raciocínio errado e sensacionalismo.”
Entre as famosas cabeças de cartaz do Triângulo das Bermudas, encontra-se Joshua Slocum - o primeiro navegador a dar sozinho a volta ao mundo em 1898 a

 

Carla
bordo de um pequeno barco - o Spray.

 

publicado por tradicional às 16:33
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