Sexta-feira, 16 de Junho de 2006

A região alpina do Schuhplattler

As regiões alpinas da Alemanha, Áustria e Itália,
onde o Schuhplattler é originalmente praticado.
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A região do Tirol

   1.   Tirol  /  Osttirol
  2.     Südtirol (Alto Adige)
  3.  Trentino (Welschtirol)
A região do Tirol histórico e suas três províncias. 1 - Áustria;  2 e 3 - Itália.

        O Tirol sofreu influências de diversas culturas no decorrer de sua história por ser desde a Antiguidade uma região de passagem nos Alpes: era a
Gália dos celtas que comercializavam sal e utensílios com os gregos; incorporada em 201 a.C. ao Império Romano, a região passou a ser chamada Galia Cisalpina;
na Idade Média o nome ladino* de um castelo da cidade de Meran deu nome à região: Tyrol. No século X já era um dos mais importantes principados do Sacro
Império Romano-Germânico de Carlos Magno, o Principado do Tirol, que com o Principado de Trento formavam a Província Episcopal do Tirol. No século XI,
o governo tirolês era dividido entre os tradicionais príncipes-bispos e os condes do Tirol, proeminentes de nobres famílias. Em meados do século XIII quase
toda a província pertencia à Casa de Habsburg (casa imperial da Áustria). Assim, a jurisdição episcopal diminuiu, embora muitos territórios eclesiásticos
fossem mantidos e podiam ser encontrados na região até 1803.

       No século XVII a região do Tirol era uma das principais províncias no Império Austro-Húngaro, por se tratar de uma importante passagem por entre
os Alpes, ligando a Alemanha à Itália.
       Até 1918 o Tirol formava uma só província, pertencente à Áustria e dividida em quatro regiões: Nordtirol, Osttirol, Südtirol e Trentino. Após a Primeira
Guerra Mundial, a porção sul da província foi incorporada ao território italiano (Trentino-Alto-Adige), mantendo a muito custo, entretanto, sua autonomia
cultural e política.

*ladino, ladin (ladinisch): língua românica preservada em alguns vales do Südtirol e Trentino. Sua origem remonta à latinização imposta pelos romanos aos
celtas da Gália Cisalpina no século II a.C.; no século VII recebeu alguma influência do médio-alto alemão. É uma das mais antigas línguas faladas na Europa,
sem ter sofrido grandes transformações nos últimos 1500 anos. A minoria ladina conta hoje com várias publicações e estudos de sua língua, dividida nos
seus dialetos, entre eles: Anpezan, Badiot, Dolomitan, Fodom, Gadertal, Gherdëina e Fascian.
Para ler alguns textos em ladin, clique aqui.
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Tirol - Áustria

        No coração da Europa, incrustado nos Alpes, está o estado austríaco do Tirol, repleto de belas paisagens, lagos e pequenas aldeias. Com território
total de 12.648 km², é separado por uma pequena faixa de terra pertencente ao Estado de Salzburg e, por isso, dividido em Tirol do Norte (Nordtirol) e
do Leste (Osttirol). Região montanhosa, conta com relevo acima dos três mil metros em alguns locais e as principais regiões tirolesas são as seguintes:
Zillertal, Inntal, Lechtal, Ötzttal, Wildschönau e Stubaital. Suas principais cidades são Innsbruck (capital), Kufstein, Schwaz, Kitzbühel e Landeck. No
Osttirol, suas principais regiões são: Pustertal, Ahrntal, Virgental, Deferegger Alpen; na cadeia montanhosa dos Hohe Tauern, encontra-se o Gross Glockner,
a maior montanha austríaca (3.798 m). Suas principais cidades são Lienz, Matrei in Östtirol e Sillian.
        Sua economia baseia-se principalmente no turismo, na agricultura e na pecuária leiteira, existindo também hidrelétricas e algumas regiões industriais.
A capital, Innsbruck, já foi sede das famílias reais austríacas (Babenberg e Habsburg) e hoje é mundialmente famosa por ser um local ideal para esportes
de inverno.
        Por se tratar de uma região cortada por montanhas, cada vale ou cidade possui características próprias em seus costumes e manifestações folclóricas,
muitas vezes mantidos há mais de mil anos, como o Schuhplattler e o tradicional Jodler (canto característico de origem celta, com passagem rápida da voz
de peito para o falsete); um bom exemplo são os diversos dialetos existentes, que dão peculiaridade a cada região.
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O Tirol meridional
        As duas províncias do Tirolo italiano - Südtirol e Trentino - formavam o Principado do bispo de Trento e são a origem de toda a antiga região denominada
Tyrol, devido ao castelo de mesmo nome pertencente ao conde de Meran (Merano). Desde 1271 os senhores de Castel Tirolo (Schloss Tyrol) eram denominados
condes do Tirol e, assim, o nome do castelo passou também a designar os distritos de Trento e Brixen. Região de encontro entre a cultura latina e germânica,
pertenceu ao Austro-Húngaro até 1918, quando toda a área meridional foi anexada à Itália. Culturalmente, não existem grandes diferenças entre os tiroleses
de língua alemã ou italiana, havendo desde sempre uma convivência harmoniosa e pacífica.

       Ainda assim, a porção sul sempre foi palco de disputa territorial entre os condes do Tirol e o príncipes-bispos, que clamavam para si o direito primeiro
do lugar. O imperador dava maior apoio aos condes, por considerar a região uma passagem estratégica pelas Dolomiti e pelos Alpes. Assim que a influência
do condado tirolês no norte crescia, o sentimento de unificação tirolesa nas províncias aumentava. No Südtirol, a maioria da população (de língua alemã)
não permitia que a minoria de língua ladina ou a numerosa população de língua italiana (dialetal, na verdade) perdesse seus costumes e isso foi um fator
muito importante para que a convivência permanecesse sempre harmoniosa entre todos os grupos, pois segundo a opinião popular: antes de ser italiano ou
alemão, sou tirolês !

       Essa consciência foi importantíssima para que a cultura e a identidade tirolesas fossem mantidas. Hoje, esse sentimento não possui mais o caráter
político, mas cultural; mesmo após a separação do Tirol ainda se diz que culturalmente "Tirol isch lei oans" (Tirol é um só).
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Trentino–Alto Adige - Itália
       Quando, no fim da primeira guerra mundial (1918), a parte meridional do Tirol foi anexada à Itália, recebeu inicialmente o nome de Veneza Tridentina,
nome este que não agradou a população. A maioria de língua alemã foi proibida de usar sua língua e foi instituído o italiano como língua oficial. Houve
muita revolta por parte da população, que se negava a falar o italiano e a repressão foi tamanha, que nomes, sobrenomes, inscrições em placas e até em
lápides foram mudadas para a língua italiana. O nome foi substituído em 1926 por Províncias de Trento e Bolzano e o nome Tirol permaneceu apenas na parte
austríaca. O ensino da língua alemã continuava clandestinamente e houve muitas manifestações populares. À parte italiana não houve menos repressão: os
dialetos foram suprimidos pelo italiano oficial e foi imposta uma cultura diferente da tirolesa, o que também não agradou a população trentina.
       A denominação bilíngüe reconhecida à Província de Bolzano pelo governo italiano em 1948 com o estatuto oficial da autonomia foi Alto Adige-Tiroler
Entschland (território tirolês no Alto Adige), transformado em 1971 para Südtirol-Alto Adige. À Província de Trento também foi reconhecida a autonomia
em 1948, e a denominação oficial para a província foi Trentino.
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        No Südtirol, na pequena cidade de São Leonardo, região do Passeiertal (Val Passiria), nasceu Andreas Hofer, hoje símbolo da defesa da cultura tirolesa.
Camponês de origem, taberneiro e comerciante de gado, pai de cinco filhos e de caráter dócil e pacífico, "Vater Hofer" era muito religioso, apegado às
tradições católicas e aos costumes de sua terra. Descontente com as idéias iluministas trazidas pela ocupação bávara (aliada a Napoleão), conseguiu mobilizar
todo o Tirol contra as tropas napoleônicas, que contavam com os exércitos bávaro e italiano. Ajudados em Viena pelo arquiduque Johann, irmão do imperador
austríaco, os patriotas tiroleses liderados por Andreas Hofer e auxiliados pelo frei capuchinho Joachim Haspinger esperavam o momento certo para a insurreição.

       De volta à sua cidade, Hofer liderou a rebelião que incendiou todo o Tirol: esquadrões voluntários (Schützen) vieram de todas as partes e a insurreição
estourou em 1809, com a dupla derrota dos bávaros em Berg Isel e depois em Vipiteno; Innsbruck foi ocupada em nome do imperador austríaco, pois Hofer considerava
seu governo provisório, já que não ambicionava nada além da autonomia tirolesa. Foi um governo relativamente positivo, quase sem conflitos e de notório
cunho cristão. Entretanto, com o tratado de paz de Schönbrunn, o Tirol foi cedido pela Áustria ao governo da Baviera, o que soou como traição aos patriotas.
As tropas francesas atacaram e retomaram o Tirol, colocando a soma de 1500 florins sobre a cabeça de Hofer, o que levou o traidor Franz Raffl a entregar
o líder na noite de 27 de janeiro de 1810. Hofer foi preso e levado a Mantua (Mantova), onde ainda defendendo a Áustria e o Imperador, foi fuzilado pelas
tropas napoleônicas.
       É errôneo, entretanto, considerar que sua luta fora contra a Baviera. Muito menos (como se fazia após 1918), considerar Hofer contra a Itália; sua
memória significa a luta pela defesa da terra e do povo tirolês, seja este de língua alemã ou italiana.
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Südtirol
       Fronteiriço com o Tirol austríaco, o Südtirol (Alto Adige) mantém hoje na Itália uma população de língua alemã e para defender sua regionalidade
foi palco de uma série conflitos entre Itália e Áustria. Somente após o reconhecimento da autonomia e o aprendizado bilíngüe do alemão e do italiano, a
situação se acalmou nas terras de Andreas Hofer.
       Com economia baseada sobretudo na agricultura, na pecuária e no turismo, o Südtirol oferece belíssimas paisagens onde as Dolomiten (conjunto de montanhas
pré-aplinas) dão ao lugar uma característica única. Suas principais regiões e são Pustertal (Val Pusteria), Eisacktal (Val d'Isarco), Burggrafenamt-Passeier,
Südtiroler Unterland, südtliches Wipptal Ahrntal, Ortler Gruppe, e regiões são Dolomiten (Dolomiti), Ötztal (Bassa Atesina) e Vinschgau (Val Venosta).
Suas principais cidades são Bozen (Bolzano, capital), Meran (Merano), Brixen (Bressanone) e Bruneck (Brunico).
Trentino
       O Trentino pode ser considerado como o verdadeiro Tirol italiano; a região é uma verdadeira mescla das culturas ítalo-germânica. O idioma predominante
é o italiano, seguido do ladino falado em algumas regiões e do alemão ainda falado em algumas cidades. Historicamente antigo e importante, o Trentino possui
ainda muito de sua origem gaulesa, sendo também chamado em alemão por Welschtirol (Tirol gaulês, italiano). É também famoso pelos Kaiserjäger (um dos mais
antigos corpos de atiradores, desde a época do imperador austríaco) e pelos excelentes corais dos Alpini (exército trentino), com seus cantos de bravura
e patriotismo e seus característicos chapéus com uma longa pena negra.
       Economicamente rica, a província autônoma sobrevive principalmente da agricultura e da produção do vinho, possuindo também uma moderna pecuária e
um grande investimento turístico. Suas paisagens e relevo encontram-se totalmente dentro das montanhas Dolomitas. Quase todas as regiões e cidades trentinas
possuem dois nomes históricos (em italiano e alemão) e até 1918 eram ambos usados. Suas principais regiões são:Trento (Trient), Valle di Fiemme (Fleimstal),
Primiero (Primör), Valsugana (Suganertal), Val Fersina (Fersental), Tesino (Tesin), Valle di Non (Nonstal), Valle di Sole (Sulztal), Valle dell' Adige
(Etschtal), Giudicarie (Judikarien), Valle di Fassa (Fassertal), Vallagarina (Lagertal), Alto Garda (Gartensee) e Ledro (Löder). As principais cidades
são: Trento (Trient - Capital), Lavarone (Lafraun), Rovereto (Rofreit), Fiera di Primiero (Primör), Borgo Valsugana (Burg im Suganertal), Arco (Hark),
Riva (Reif), Cavalese (Gablöss), Caldonazzo (Gallnötsch), Malé (Maleit), Cles (Glöss), Levico (Löwen), Folgaria (Vielgereuth), Luserna (Lusern) e Ala (Ahl).
       O trentino mantém ainda vivo em seus vales o uso dos dialetos, muito variados de região para região e que em muitos locais quase não se modificou
no decorrer dos séculos. Nas regiões de Fersina (Fersental) e Luserna ainda são mantidos dialetos do alemão medieval.
Para ler alguns exemplos dos dialetos trentinos, clique aqui.
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Baviera - Alemanha

       Na fronteira norte do Tirol estão os Alpes bávaros (Bayrische Alpen), pertencentes ao Estado alemão de Bayern (Baviera). O nome da região têm sua
origem com a chegada da tribo germânica dos baiuvares, que se estabeleceram em toda a porção sul dos Alpes; região onde a presença humana é antiga, a Baviera
é um dos berços da cultura celta na Europa.
       Apegados às suas tradições, os bávaros mantém seus dialetos e ainda hoje é muito comum o uso de roupas típicas nas cidades interioranas. O relevo
desta região é formado pelos Bayrische Voralpen, Allgäuer Alpen e Werden Felser; suas principais cidades são Munique (capital), Garmisch-Partenkirchen,
Miesbach, Füssen, Reit in Winkl, Oberstdorf e Murnau. Na fronteira com o Tirol está a maior montanha alemã: Zugspitze, com 2.962 metros.
       A região dos Alpes Bávaros é onde a prática do Schuhplattler se manteve da forma mais original; o folclore bávaro é praticamente o mesmo do tirolês
e estudos indicam que foi nas regiões fronteiriças entre a Baviera e o Tirol que este sapateado surgiu, sendo hoje o lugar onde a dança é praticada da
forma mais antiga. Entretanto, o que faz mundialmente famosa a região é a Oktoberfest de Munique, a maior festa típica da Europa.

*Texto postado no grupo "Tradicionalmente Falando por:

Carla

publicado por tradicional às 17:18
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