Sexta-feira, 16 de Junho de 2006

A Música Barroca Mineira e a Arcádia Ultramarina

A Música Barroca Mineira e a Arcádia Ultramarina

...”Que de seus raios o planeta louro

Enriquecendo o influxo em tuas veias,

Quanto em chamas fecunda, brota em ouro”...

Cláudio Manuel da Costa

A poética barroca inundava o mundo com suas metáforas, imagens e sonoridades quando a “Arcádia Ultramarina” fundada em Ouro Preto [Vila Rica] por Cláudio
Manuel da Costa em [1768] a exemplo do arcadismo lusitano, italiano e francês, enfatizava uma volta à natureza, ao cenário natural, à paisagem bucólica,
à simplicidade e ao lirismo. Árcade, na mitologia, era filho de Júpiter e Calisto.  Arkadhia era as fontes, os rios, a relva e as árvores dos bosques que
habitava Árcade. Poeticamente, Árcade é o discurso voltado para os valores simplórios do mundo natural.  Na estética árcade, de tendência neo-clássica,
há o predomínio da poética clássica e humanista e, em especial dos autores como Boileau, Voltaire, Gravina, que irradiaram  um estado de espírito de espontaneidade
dos sentimentos. Este novo aspecto culminará na exaltação à pureza, à ingenuidade e à beleza.  Esses ideais conduzirão os poetas à maior liberdade expressiva,
dando origem também à simplificação do aspecto formal das obras. Às volutas do barroco, a singeleza árcade cultivava o “bucolismo” a ser expresso por um
lirismo amoroso de “gosto” renascentista. O tom confessional e o sentimento nativista constituem a marca fundamental da escola árcade no Brasil setecentista.

Para a música “barroca mineira” faz-se necessário uma digressão a respeito do arcadismo a fim de situar os compositores daquele período como, José Joaquim
Emerico Lobo de Mesquita e Manoel Dias de Oliveira, para citarmos apenas 2,  por reconhecermos, além de seus “barroquismos”, este aspecto gerado pelo lirismo
árcade rumo aos moldes clássicos e ao pré-romantismo.  Com efeito, figuram-se nas obras destes compositores contrastes que opõem ao equilíbrio, harmonia
que sugere estabilidade e uma liberdade expressiva transgressora que revela uma inspiração de um homem em contínuo contato com a natureza e uma sensibilidade
animada pela paixão, como presença do eterno no transitório.  Como no arcadismo português, a “Arcádia Ultramarina” é o produto das esperanças de [re]-construção
de uma nação.

“O madrigal mais simples e mais nobre em sua  construção, respira a doçura, a ternura e o amor”. Nicolas Boileau-Despréaux  (1636-1711).

Arte Poética.[Canto II; v.143].

Marcelo Palhares

Musicólogo

 

 

*Texto enviado para o grupo "Tradicionalmente Falando" por:

Anselmo

 

 

publicado por tradicional às 17:36
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