Sexta-feira, 16 de Junho de 2006

A EXPANÇÃO DA CIDADE PARA FORA DAS MURALHAS

Porto - Portugal

 

A expansão da cidade para fora das muralhas
Quando a cidade começou a esbracejar para fora dos muros medievais, essa
expansão fez-se criteriosamente, com base em planos previamente
estabelecidos,
ou desenrolou-se segundo a cabeça de cada um?
Esta é a pergunta que faz um jovem estudante que também quer saber se são
conhecidos os nomes dos engenheiros, arquitectos e artífices que colaboraram
com
a Junta das Obras Públicas do Porto, no tempo do Marquês de Pombal.
Trata-se de um assunto muito importante, o contexto histórico da cidade e do
seu desenvolvimento urbanístico, aqui tratado por várias vezes, mas ao qual
nunca é de mais voltar sempre que necessário.
É por demais sabido que, na Idade Média, as cidades mais importantes, por
uma questão de segurança dos seus cidadãos, eram cercadas com avantajadas e
robustas
muralhas de granito, como aconteceu com o Porto que teve duas cercas - uma
do tempo dos romanos e a outra que começou a ser construída no tempo de D.
Afonso
IV e só ficou concluída no reinado de D. Fernando e daí denominarem-se
"fernandinas".
Foi no século XVIII que a cidade começou, digamos assim, a esbracejar para
fora dos muros defensivos e, a pouco e pouco, onde outrora só existiam
quintas,
densos bosques de carvalhos e extensos olivais, começaram a ser rasgadas
novas ruas. Gradualmente a área externa, adjacente à muralha, foi sendo
integrada
no xadrez do novo tecido urbano que se estava a construir.
Acresce dizer que este desenvolvimento se processou durante muito tempo sem
que tivesse que obedecer a algum plano urbanístico metodicamente estudado e
criteriosamente planeado. Nada disso. Tudo acontecia ao capricho do acaso ou
segundo as conveniências dos proprietários dos terrenos.
Só a partir de meados do século XVIII, Já no tempo do Marquês de Pombal, com
a vinda dos Almadas para o Porto e a criação da Junta das Obras Públicas,
foi
que se começou a meter alguma ordem nos projectos.
Elaboraram-se a puseram-se em prática, a partir de então, projectos de
grande envergadura, alguns mesmo notáveis, audaciosos outros mas todos eles
muito
interessantes com o senão de alguns deles nunca terem sido executados.
Para a elaboração e concretização de muitos desses planos recorreu-se, como
seria normal e perfeitamente natural, aos técnicos mais famosos da época
engenheiros,
arquitectos, mestres de obras, canteiros. Recordemos alguns: engenheiro D.
José Champalimaud de Nussance, que projectou as casas para o lado sul do
Campo
de Santo Ovídio, actual Praça da República, onde está o edifício do Quartel
General em cujo risco também colaborou Champalimaud de parceria com Reinaldo
Oudinot. Dos arquitectos podemos citar Teodoro de Sousa Maldonado, autor do
projecto para a abertura da Rua da Boavista, desde o antigo Campo de Santo
Ovídio até Cedofeita; António Pinto de Miranda, riscou as plantas para a
Praça de santo Ildefonso e a Rua Nova de Santo António, actual Rua de 31 de
Janeiro;
a Luís Inácio de Barros Lima, ficou a dever-se a Praça da Batalha e as ruas
de Cima de Vila e Chã; Francisco Pinheiro da Cunha foi quem gizou toda a
frente
da Rua de Santa Catarina do lado poente. Naturalmente que não pode ser
esquecido John Whitehead que era cônsul da Inglaterra no Porto e que
colaborou em
muitos trabalhos com os Almadas, nomeadamente no alargamento do Largo de S.
Domingos e nas obras da Praça da Ribeira.
Todas as obras urbanísticas iniciadas no Porto, na segunda metade do século
XVIII foram concebidas com objectivos bem definidos e de entre os quais
sobressaia
o desejo de fazer do Porto uma cidade moderna, de arruamentos mais amplos e
edifícios funcionais para comodidade dos seus habitantes. Desapareceu uma
grande
parte das ruas da Idade Média, estreitas, sujas e mal iluminadas. Algumas
eram tão apertadas que pareciam tocar-se nos telhados. O primeiro desses
grandes
planos urbanísticos começou a ser posto em prática em 1760 no sítio do
Laranjal e visava a criação da parte de fora das muralhas de um eixo
principal de
vias que tinha como miolo, digamos assim, a Rua do Almada.
A expansão da cidade
para fora das muralhas
O contributo do vinho
Ao criar a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, o
marquês de Pombal não teve em mente, apenas, a defesa da genuinidade do
produto e
o estabelecimento de novas regras para a sua comercialização. Procurou, sim,
evitar a ruína dos lavradores alto-durienses, mas fez aumentar as
exportações
, com o que deu um novo incremento ao comércio local espevitando a
actividade mercantil do velho burgo. Ao criar a Companhia o primeiro
ministro de D.
José I teve também em mente fins que não eram simplesmente de carácter
económico. Assim, com os impostos do vinho, que eram substanciais mas a que
se juntaram
outros, como o do sal e da carne, a Junta das Obras Públicas arrecadou
fundos que lhe permitiu projectar e abrir ruas, ampliar praças e
logradouros, e
ainda custeou a construção do cais ao longo da margem direita do rio, desde
a Ribeira até, praticamente a Foz.

saudações do Fernando Teixeira

 

publicado por tradicional às 00:14
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