Sexta-feira, 16 de Junho de 2006

Catarina Eufémia

Catarina Efigénia Sabino Eufémia (nascida a 13 de Fevereiro de 1928,
morta a tiro a 19 de Maio
de 1954)
foi uma ceifeira alentejana analfabeta
que, na sequência de uma greve
de assalariadas rurais, foi assassinada, aos 26 anos, pelo tenente Carrajola da GNR
em Monte do Olival, Baleizão,
perto de Beja, Alentejo.
Catarina tinha três filhos, um dos quais de oito meses, que estava no seu colo no momento em que foi baleada.
 
A história trágica de Catarina acabou por personificar a resistência
ao regime salazarista, sendo adoptada pelo
PCP
como ícone da resistência no Alentejo.
 
 

Sophia de Mello Breyner,
Carlos Aboim Inglez,
Eduardo Valente da Fonseca,
Francisco Miguel Duarte,
José Carlos Ary dos Santos,
Maria Luísa Vilão Palma
e
António Vicente Campinas
dedicaram-lhe poemas.
O poema de Vicente Campinas "Cantar Alentejano" foi musicado por Zeca Afonso
no álbum " Cantigas de Maio" editado no
Natal de 1971.
-
 
(clique a seguir para ouvir um trecho dessa canção)
http://www.pcp.pt/actpol/temas/pcp/catarina/
-
Lenda
 
Ao torná-la numa lenda da resistência anti-
fascista, o PCP teria adulterado alguns pormenores da vida e morte de Catarina Eufémia. Designadamente, fez-se crer que Catarina era militante do Partido Comunista no comité local de Baleizão, desde 1953,
o que é, possivelmente, falso. A escolha de Catarina para porta-voz das ceifeiras terá sido mesmo influenciada pelo facto de não existirem as mínimas suspeitas
de ser comunista. Aliás, Mariana Janeiro, uma militante comunista várias vezes presa pela PIDE, sempre rejeitou a hipótese de que Catarina estivesse ao
serviço do partido. Por seu lado, António Gervásio, antigo dirigente do PCP no Alentejo, afirma que Catarina era de facto membro do comité local de Baleizão
do PCP desde 1953. Também a
União Democrática Popular
reivindicou a militância de Catarina, tendo, mesmo, erigido um pequeno
monumento
em sua memória, que foi destruído por apoiantes do PCP em 23 de Maio
de 1976.
 
Afirmou-se também que Catarina Eufémia estaria grávida
de alguns meses no momento em que foi assassinada. Aparentemente, essa informação teria vindo de outras ceifeiras, a quem Catarina alguns dias antes de
ser assassinada teria revelado o seu estado amenorreico. Durante a autópsia, o povo de Baleizão juntou-se no largo da Sé de Beja, a poucos metros do Hospital
da Misericórdia, clamando em desespero e revolta: "Não foi uma, foram duas mortes!". No entanto, o
médico legista
que a autopsiou, Henriques Pinheiro, afirmou repetidamente, inclusive depois da
revolução de 1974,
que as referências a uma gravidez eram falsas.
[
publicado por tradicional às 18:23
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