Terça-feira, 27 de Junho de 2006

O Portto: a cidade, as gentes e as efemérides

1. Origem
As referências da presença humana assinalam que, desde tempos
pré-históricos, o local onde agora se eleva a "Antiga mui nobre, sempre leal
e invicta cidade do Porto" tenha sido habitada. Local esse que seria
denominado Cale, segundo alguns historiadores.
Os documentos históricos mais antigos são posteriores á invasão romana pelo
cônsul Decimus Junius Brutus, que em 137 a.C. atravessa os Pirenéus, avança
para ocidente conquistando todas as regiões até ao Oceano. Segundo um texto
de Salústio, Cale foi tomada por Perpena um lugar-tenente romano.
De acordo com as conclusões do Prof. Mendes Correia, esta aldeia indígena
estaria localizada na margem direita do Douro, no alto do morro Corpo da
Guarda (como é actualmente conhecido).
Seria desta povoação que seria lançada a investida contra os Lusitanos, que
após obstinada resistência que duraria um século, seriam finalmente
derrotados.
Entre 284 e 288, Hispánia, sob administração de Diocleciano, é dividida em
cinco províncias Tarraconense, Cartaginense, Bética, Lusitânia, e Galécia.
Em 297 Galécia é instituída como província separada definitiva com três
conventus de Bracara, Lucus e Asturica.
O domínio romano terminaria aquando da invasão da Barbárie, no ano de 409,
depois de um acordo com os partidários de Máximo, pretendente rebelde ao
título imperial.
Alanos, Vândalos, Godos, Suevos, etc., dividiram entre si o território
conquistado, cabendo aos Suevos a Galiza (Galécia), na qual se incluía a
província do Minho (Minius) ,até ao Douro (Durius), estendendo-se ate ao
Tejo. Abaixo destes ficaram os Visigodos, os Alanos ocupam a Lusitânia.
Cerca do ano de 417, os Alanos invadem os territórios dos Suevos, empurrando
estes até à margem direita do rio Douro, onde estes constróem as suas
defesas nas fortificações já existentes no local. Os Alanos não conseguiram,
apesar de muitos esforços, conquistar a cidade sendo, posteriormente
expulsos pelo povo Suevo, com o apoio dos Romanos.
Hermenerico, o rei Suevo, estendeu os muros do castelo, que havia fundado no
morro da Pena Ventosa (onde actualmente se ergue a Sé), edificando à sua
volta casas para as tropas. A este burgo foi dado o nome de Cale Castrum
Novum (castelo novo de Cale) adquirindo a denominação de civitas. Ao fundo
desse morro existia o Portus Cale (porto de Cale, actual Ribeira), que deu
origem ao nome Portucale, nome esse dado ao castelo novo, e que ficaria a
designar a cidade a partir dos finais do Séc. IV. O castelo antigo ficava do
outro lado do rio Douro, no local de Gaia, posto de defesa avançado de Cale.
Ambos os castelos figuram, há séculos, nas armas da cidade do Porto, tendo
ao centro a imagem da Virgem Maria, protectora desde sempre do burgo, razão
pela qual também é conhecida pela "cidade da Virgem".
Requiário, rei dos Suevos, converte-se ao Cristianismo por em 448, a
conversão solene do povo Suevo ocorrerá em 561, no I concílio de Braga.
Portucale foi tornado diocese por volta do ano de 582. Três anos depois,
Leovigildo, rei visigodo, conquista a cidade, domínio que manteve até à
invasão da Península Ibérica pelos Mouros, que em 716 por Abd al-Aziz,
subjuga a cidade ao Império Muçulmano durante cerca de 25 anos.
A cidade foi de novo tomada por D. Afonso I, rei das Astúrias, de cujo reino
havia partido a reconquista cristã, em meados do séc. VIII. A investida para
Sul, contra os mouros, levou a que a cidade ficasse quase abandonada durante
mais de um século, permanecendo apenas parte da população rural. Mais tarde,
o rei Afonso III das Astúrias decide promover o seu repovoamento, que disso
se encarregou o conde Vimara Peres, em 868. Em 910, o território de Afonso
III é dividido pelos seus filhos, Ordonho fica com a Galiza e tem o apoio do
condes portucalenses. È derrotado em 916, por o emir Abd al-Rahman III, em
Valdejunquera.
Em 950, Gonçalo Mendes assume a chefia da Terra Portucalense, que em 962 se
revolta contra Sancho I de Leão, seguindo-se-lhe Gonçalo Moniz, conde de
Coimbra.
Á morte de Afonso V de Leão, sucede Bermudo III, o qual é derrotado por
Fernando I de Castela, em 1037, substituindo a dinastia de Leão pela
Navarra.
Nuno Mendes, conde de Portucale, em 1071 revolta-se contra Garcia , senhor
da Galiza e Portucale e irmão de Afonso VI, rei de Leão. É derrotado e
morto.
No séc. X, o domínio muçulmano já se encontrava limitado a menos de meia
Espanha. D. Afonso VI rei de Leão, senhor da Reconquista, ameaçado por novo
ataque dos mouros, pediu ajuda aos nobres cristãos de além Pirenéus.
Vários nobres franceses vieram em ajuda. Entre eles, dois borgonheses
destacaram-se pela sua valentia: o Conde D. Henrique, neto de Roberto II,
rei de França; e o seu primo D. Raimundo.
Como eram grandes guerreiros, os seus feitos conquistaram a amizade de D.
Afonso VI, que os casou com as suas filhas, a mais velha, D. Urraca, com D.
Raimundo e D. Teresa com o Conde D. Henrique. O rei de Leão reparte os seus
Estados pelas filhas, cabendo a D. Henrique, em 1096, as terras a sul do rio
Minho; uma província galega a que a velha Cale já dera nome - condado
Portucalense; e o condado de Coimbra. Neste ano D. Henrique concede foral à
cidade de Guimarães.
Quer o conde D. Henrique, quer a sua mulher D. Teresa, tentaram libertar-se
dos laços feudais que prendiam o condado ao rei de Leão. Após a morte de D.
Henrique em 1114, a família galega dos Travas tentou intrometer-se no
reinado de D. Teresa, provocando a revolta da nobreza nortenha portucalense
que em S. Mamede (1128) afastou D. Teresa do poder e o entregou a seu filho
D. Afonso Henriques.
Este lutou em três frentes: libertar-se dos laços de vassalagem em relação
ao seu primo Afonso VII, rei de Leão e Castela; alargar o território na luta
contra os Mouros; e, pela via diplomática, prestar vassalagem à Santa Fé,
conseguindo desta o reconhecimento do reino de Portugal.
Em 1115, a rainha D. Teresa (durante a menoridade do filho) concedeu isenção
de diocese do Porto em relação à metrópole bracarense. Em 1120, doou ao
então bispo D. Hugo, o burgo que estava a par da respectiva Sé, bem como
vários direitos e propriedades reais situadas em volta, o qual, em 1123,
concedeu aos portuenses a primeira Carta de Foral.
O nome de Porto surge apenas em crónicas do Séc. XIII, com o reino de
Portugal já definitivamente formado. A simplificação do nome de Portucale
para Porto, dever-se-ia a evitar a confusão entre a designação da cidade e a
do reino.
 Porto visão histórica




2. Geografia
Cidade, sede de concelho e capital de distrito, com mais de trezentos mil
habitantes. Situa-se na margem direita do Rio Douro, próximo da sua foz, e é
a segunda cidade de Portugal. Atingindo a altitude máxima de 163 m, está
unida à margem esquerda do rio, onde se situa a cidade de Gaia, por três
majestosas pontes rodoviárias - Arrábida, D. Luís e Freixo - e duas
ferroviárias - S. João e D. Maria, esta já desactivada e considerada
monumento nacional.
O Porto dista 320 km de Lisboa e a sua população distribui-se por quinze
freguesias: Aldoar, Bonfim, Campanhã, Cedofeita, Foz do Douro, Lordelo do
Ouro, Massarelos, Miragaia, Nevogilde, Paranhos, Ramalde, Santo Ildefonso,
S. Nicolau, Sé e Vitória. O feriado municipal é a 24 de Junho, dia de S.
João, festa típica dos martelos e dos alhos.
Cidade de granito, escura e austera, goza de um clima temperado, embora
bastante húmido. As amplitudes térmicas anuais não são muito elevadas,
graças à proximidade do oceano e de um ramo da corrente quente do Golfo, que
passa próximo da costa.
Foi dentro dos seus muros que se efectuou o casamento do rei D. João I com a
princesa inglesa D. Filipa de Lencastre. A cidade orgulha-se de ter sido o
berço do  infante D. Henrique e de albergar numa das suas muitas igrejas - a
da Lapa - o coração de D. Pedro IV, que o ofereceu à população da cidade em
homenagem ao contributo dado pelos seus habitantes à causa liberal. Aliás, o
liberalismo, o amor à liberdade e o patriotismo foram sempre valores muito
caros aos portuenses. O próprio epíteto de "tripeiros", de que os genuínos
portuenses muito se orgulham, provém de uma dessas manifestações de amor
pátrio, pois, ao ajudarem a equipar a armada que saiu da barra do Douro para
a conquista de Ceuta, entregavam nos porões dos navios
as carcaças completas das reses que iam abatendo, reservando somente as
vísceras para consumo próprio.
A riqueza histórica da cidade é atestada pelos seus inúmeros monumentos: a
Sé Catedral, o Palácio da Bolsa, a Igreja de S. Francisco, a igreja românica
de Cedofeita, a Igreja dos Clérigos, as igrejas e conventos de S. João Novo,
S. Bento, Carmelitas, Trindade, a já referida Igreja da Lapa, vários museus
e numerosas moradias particulares, sobretudo na sua parte antiga. A riqueza
monumental da chamada "zona histórica" da cidade é tal que a UNESCO lhe
conferiu, nos finais de 1996, o estatuto de "Cidade Património Mundial".
O Porto foi sempre, tradicionalmente, uma cidade comercial. O principal
produto objecto das suas trocas comerciais foi, e continua a ser, o chamado
vinho do Porto, produzido nas vinhas das encostas do Alto Douro e exportado
através das numerosas caves que se situam na margem esquerda do Rio Douro,
em Vila Nova de Gaia.
O porto fluvial do Rio Douro tem bastante tráfego, mas é através do porto de
Leixões, no Oceano Atlântico, que se faz a maior parte do comércio externo.
No Porto cruzam-se várias linhas de caminho-de-ferro - Minho, Douro, Norte,
Póvoa - que contribuem, também elas, para tornar a cidade o principal centro
comercial de toda a região nortenha. Actualmente, também a actividade
industrial tem grande relevância, laborando na sua cintura industrial
fábricas de têxteis, calçado,
metalomecânica, cerâmica, móveis, ourivesaria e outras actividades fabris,
algumas ainda a nível artesanal.
O distrito é limitado a norte pelo de Braga, a sul pelos de Aveiro e Viseu,
a este pelo de Vila Real e a oeste pelo Oceano Atlântico. É uma zona
populacional muito densa, geograficamente situada numa região privilegiada e
sem atingir altitudes significativas, apesar de alguns acidentes orográficos
resultantes das ramificações das serras do Marão e da Cabreira e dos montes
de Santa Eugénia, Agrela e Valongo. Os seus habitantes dedicam-se na sua
maioria à actividade comercial e industrial. Contudo, também a actividade
agrícola, normalmente praticada em regime de minifúndio, tem algum peso na
economia do distrito.




3. Cidadãos proeminentes
Infante D. Henrique (1394-1460)
Quinto filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, nasceu no Porto, em
1394, e morreu em Sagres, em 1460. Toda a sua figura está envolta em algum
mistério e muita contradição.
Como todos os seus irmãos, a "Ínclita Geração", teve uma elevada educação.
Participou, em 1415, na conquista de Ceuta, estando encarregado de organizar
a frota com as gentes do Norte. Após a conquista, foi armado cavaleiro, na
mesquita de Ceuta, por D. João I, seu pai, juntamente com seus irmãos D.
Duarte e D. Pedro. No regresso, foi-lhe doado o ducado de Viseu. Em 1416, D.
João I encarrega-o dos negócios de Ceuta e da defesa marítima da costa
algarvia contra os ataques dos piratas mouros. E em 1417 é nomeado Mestre da
Ordem de Cristo, de cujos recursos se vai servir para a grande empresa
marítima.
O infante D. Henrique foi o condutor da expansão ultramarina, com as
motivações e os objectivos a terem uma evolução natural. As primeiras
navegações chegam a Porto Santo (1419) e Madeira (1420), que logo procura
colonizar, pois um dos motivos é o económico, isto é, ter acesso às
matérias-primas (como o ouro do Sudão), abastecer o reino dos bens que lhe
faltam (como os cereais) e desviar as rotas comerciais africanas a favor de
Portugal. A estes motivos teremos de juntar o político, com a posse de novos
domínios, ao mesmo tempo que se alargam os horizontes de intervenção da
nobreza, e o religioso, inserido numa época em que os Turcos eram uma ameaça
para a  Europa e em que se falava na existência de um reino cristão em
África, a Terra do Preste João, e que se queria atingir contornando a
África.
Para que tal empresa fosse possível, o infante D. Henrique instala-se em
Lagos, procura rodear-se de cartógrafos e de gente experimentada na
navegação, e procura obter o máximo de informações acerca das terras a
demandar e dos novos conhecimentos de navegação. A partir de 1422 o Infante
envia todos os anos barcos a explorar a costa africana, estudando os ventos
e correntes e as novas formas de navegação no mar alto. Em 1426 passa-se o
Cabo Não e em 1427, no regresso de uma viagem, levados pelo vento, os
navegadores chegam à parte oriental dos Açores, cujas ilhas logo vão ser
povoadas. Vão-se aperfeiçoando os instrumentos náuticos,
como o astrolábio e o quadrante, bem como cartas de marear mais perfeitas.
Finalmente, em 1434, Gil Eanes passa o Cabo Bojador, pondo fim à lenda do
Mar Tenebroso e abrindo novas perspectivas ao avanço das navegações, que vão
prosseguir em grande ritmo. Atinge-se Arguim, a foz do Senegal, Guiné e
Serra Leoa, ainda em vida do Infante.
Mas o infante D. Henrique não está alheado de outros acontecimentos
nacionais: em 1431 é nomeado protector da Universidade de Lisboa, onde vai
reorganizar os estudos, introduzindo o estudo da Matemática e da Astronomia;
participa na trágica expedição a Tânger (1437), na conquista de Alcácer
Ceguer (1457), bem como na crise entre seu irmão D. Pedro e o sobrinho D.
Afonso V, que culminou na batalha de Alfarrobeira (1449).
Ao mesmo tempo, o infante D. Henrique trata da defesa dos interesses
portugueses junto do Papa, pedindo bulas que outorgavam a posse das ilhas e
territórios entretanto descobertos.
O infante D. Henrique é uma das figuras mais marcantes da nossa História,
sendo igualmente uma figura da humanidade.

Almeida Garrett (1799 -1854)
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett é provavelmente o escritor
português mais completo de todo o século XIX, porquanto nos deixou
obras-primas na poesia, no teatro e na prosa, inovando a escrita e a
composição em cada um destes géneros literários. Nasceu em 1799 no Porto e
faleceu em Lisboa em 1854.
Na infância recebeu uma formação religiosa e clássica. Conclui o curso de
Direito em Coimbra, onde adere aos ideais do liberalismo. Em 1823 é obrigado
a exilar-se em Inglaterra (após a subida ao poder dos absolutistas), onde
inicia o estudo do romantismo (inglês), movimento artístico-literário então
já dominante na Europa. Regressa em 1826 e passa a participar na vida
política; mas teve de exilar-se novamente em Inglaterra em 1828, depois da
contra-revolução de D. Miguel. Em 1832, na Ilha Terceira, incorpora-se no
exército liberal de D. Pedro IV e participa no cerco do Porto. Exerceu
funções diplomáticas em Londres, em Paris e em Bruxelas. Após a Revolução de
Setembro (1836) foi Inspector Geral dos Teatros e fundou o
Conservatório de Arte Dramática e o Teatro Nacional. Com a ditadura
cabralista (1842), Garrett é posto à margem da política e inicia o período
mais fecundo da sua produção literária. Com a Regeneração (1851) recebe o
título de visconde e é nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Tem o grande mérito de ser o introdutor do Romantismo em Portugal ao nível
da criação textual - processo que iniciou com os poemas Camões (1825) e D.
Branca (1826). Ainda no domínio da poesia são de destacar o Romanceiro
(recolha de poesias de tradição popular cujo 1.o volume sai em 1843), Flores
sem Fruto (1845) e a obra-prima da poesia romântica portuguesa Folhas Caídas
(1853) que nos dá um novo lirismo amoroso. Na prosa, saliente-se O Arco de
Sant'Ana (1.o vol. em 1845 e 2.o em 1851), romance histórico, e
principalmente as suas célebres Viagens na Minha Terra (1846). Com este
livro, a crítica considera iniciada a prosa moderna em Portugal. E quanto ao
teatro, deve-se mencionar Um Auto de Gil Vicente (1838), O
Alfageme de Santarém (1841) e sobretudo o famoso drama Frei Luís de Sousa
(1844). No domínio da pedagogia escreveu o tratado Da Educação (1829) e no
da política devemos citar Portugal na Balança da Europa onde chega a prever
uma federação peninsular para resolver a crise do país.





4. Acontecimentos
ImportantesO desastre das Ponte das Barcas (1809)
Ponte sobre o Rio Douro, no Porto, construída em 1806 e aberta ao tránsito
em15 de Agosto. Era constituída por vinte barcaças ligadas entre si por
cabos de aço. Sobre essas barcaças estava disposta uma plataforma de
pranchas que permitia a travessia.
Aqui se verificou um famoso acidente, em 29 de Março de 1809, durante a
Guerra Peninsular, com a segunda invasão francesa. Nesse dia o general Soult
entra no Porto, vencida a resistência local. A população, em pânico perante
as tropas francesas, procurava refúgio atravessando o rio
em direcção a Gaia. Submetida a tamanho peso, a ponte rebenta. Uns caem à
água, outros procuram deter-se, perante o perigo. Há um movimento de recuo,
o sopesar dos que estão mais adiantados, contrapondo-se à multidão ávida que
empurra com crua demência desesperada.
Mais de 4000 pessoas perecem nessa horrível tragédia.
Mais tarde construiu-se outra ponte mais robusta, constituida por 33 barcas,
onde assentava um estrado de madeira protegida nos parapeitos por grades.
Durante as cheias mais ou menos regulares do rio Douro, esta ponte era
desarmada, evitando-se assim que a corrente a desmantelasse. O tránsito
ficava, então, interrompido enquanto o rio não regressasse ao caudal
normalizado. Apenas em 17 de Janeiro de 1843 é inaugurada a ponte Pensil, a
primeira ponte de tabuleiro elevado (cerca de 10 m sob nível das águas) com
um comprimento de 170.14 m.


Cerco do Porto (1832-1833)
Após desembarcar no Pampelido em 8 de Julho de 1832, o exército liberal
liderado por D. Pedro IV vindo dos Açores parte para a cidade do Porto, onde
entra às primeiras horas da manhã do dia 9. Ao meio-dia chegava à Praça
Nova, actual Praça da Liberdade.
As tropas miguelistas tinham deixado a cidade, o que terá constituído o
primeiro grande erro das forças leais a D. Miguel. D. Miguel, quando soubera
da saída de D. Pedro dos Açores, preparara a defesa da cidade de Lisboa para
resistir à invasão prevista. Porém, o Porto ficou esquecido neste plano
defensivo.
O visconde de Santa Marta, comandante supremo da divisão miguelista que
operava na região entre a Figueira da Foz e Vila do Conde, assim que toma
conhecimento do desembarque, retira-se do Porto e, fixando-se em Vila Nova
de Gaia, ordena que, ainda no dia 9, seja feito fogo sobre a cidade para
tentar refrear os liberais.
O almirante liberal Sartorius, por seu turno, no dia 10 de Julho, manda
alguns barcos entrarem na barra do Porto e abrirem fogo sobre as forças
miguelistas, enquanto, simultaneamente, a divisão liberal do tenente-coronel
João Schwalbach atravessa o rio e ocupa Gaia, obrigando os miguelistas a
recuarem até Oliveira de Azeméis.
Os liberais, após este episódio, permanecem no Porto, sendo desta feita a
vez de eles próprios cometerem um erro de estratégia militar, ao ficarem
sitiados na cidade invicta.
No dia 13 os miguelistas atacam violentamente sem, no entanto, obterem
grande êxito. Cinco dias volvidos, travou-se o combate de Penafiel, após o
qual os liberais são forçados a voltar ao Porto.
O general realista Álvaro Xavier Póvoas e o visconde de Santa Marta uniram
as suas forças e rodearam o Porto, pelo que D. Pedro mandou uma coluna
atacar Valongo, mas caiu numa emboscada e teve de recuar até Rio Tinto. A
Serra do Pilar, entretanto, é fortificada pelos realistas.
D. Pedro, na impossibilidade de ocupar o norte do país como previra,
reorganiza o exército, entregando o governo das armas do Minho ao brigadeiro
Sebastião Drago Cabreira. Depois envia Palmela para Londres para obter
dinheiro, armas, cavalos e mercenários.
No dia 27 dá-se um violento combate ao sul de Grijó, onde Póvoas vence as
tropas de Vila Flor. Na cidade chega a pensar-se na retirada de D. Pedro.
Entretanto, as tropas miguelistas passam a ser lideradas pelo general Gaspar
Teixeira e dá-se início ao cerco da cidade. Todo o mês de Agosto se passa
sem acções de grande importância de qualquer das partes.
Em 8 de Setembro, os realistas iniciam os ataques e bombardeamentos,
conseguindo no dia 16 ocupar o morro das Antas.
Gaspar Teixeira decide então preparar um assalto à cidade, que fica marcado
para o dia 29, dia de S. Miguel. No entanto, encontrou uma tal resistência
que depressa o assalto se transformou numa retumbante derrota.
O cerco prossegue e na cidade do Porto começava a escassear de tudo e a
proximidade do Inverno não melhorava de todo as expectativas.
No dia 1 de Janeiro de 1833 desembarca na Foz o general João Baptista
Solignac, a quem foi entregue o comando das forças liberais, o que, apesar
da sua idade algo avançada (contava 62 anos de idade), faz crescer as
esperanças nas hostes liberais.
Por sua vez, no início de Fevereiro, o comando das forças miguelistas passa
para o conde de S. Lourenço, para evitar a continuação das rivalidades entre
o general Póvoas e o visconde de Santa Marta.
No Porto surgem dois novos inimigos: a cólera e o tifo. Os liberais começam
a pensar seriamente na capitulação.
No dia 1 de Junho Palmela desembarca na Foz, trazendo consigo voluntários e
navios, à frente dos quais estava o capitão de guerra Carlos Napier. Pouco
depois, Napier, investido já do comando da esquadra, retomava um antigo
plano de ataque por mar contra Lisboa, que desagrada a D. Pedro, sendo
posteriormente substituído pelo desembarque no Algarve. No dia 21 de Junho
parte uma esquadra liberal rumo ao sul, sob o comando do duque da Terceira.
Em 5 de Julho o exército realista lança um violento ataque à cidade,
convicto de que a partida da esquadra enfraquecera o poder das tropas ali
estacionadas; mas, uma vez mais, o ataque foi repelido.
No dia 25, dá-se um novo e ainda mais vigoroso ataque das tropas realistas,
agora já sob o comando do marechal de Bourmont. Os absolutistas são
derrotados.
No dia seguinte, D. Pedro parte para Lisboa, já ocupada pelo duque da
Terceira, deixando a Saldanha a defesa da cidade do Porto. No dia 18 de
Agosto, Saldanha consegue uma brilhante vitória que obriga os absolutistas a
levantar parte do cerco e, posteriormente, a retirar as restantes forças. Em
20 de Agosto, Saldanha regressa ao Porto em triunfo.

(José Pedro)

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