Sábado, 22 de Julho de 2006

História da Cidade do Porto

Há muito, muito tempo, quase nos primórdios da civilização, havia um
lugar ao qual chamaram Porto por ser de paragem obrigatória às gentes
que viajavam no país. Nesse lugar havia um rio chamado Douro por ter
em si muitas e belas riquezas.

A terminologia da palavra aponta para portus, a porta, topónimo que
traduz a vida comercial e o desejo de um povo pioneiro na descoberta
do desconhecido

A constituição das suas origens como cidade data de 417.

Ao longo dos séculos foram vários os seus governantes, citando-se
entre outros os Suervos, os Godos, e mesmo os Mouros que por aqui
passaram até ao reinado d'El Rei D. Afonso I, de cognome o Católico.

Nas vicissitudes da Reconquista conhece por várias vezes a destruição.

Depois de ter sido nomeada bispado e ter sido entregue a D. Hugo o
burgo foi sempre crescendo, quer dentro dos muros, quer nas imediações
da cidade. Estendendo-se pela Ribeira até à praia onde desembarcavam e
embarcavam mercadorias. Trepando em direcção ao burgo, lá no alto,
seguindo os traçados que rumam a Braga, a Guimarães e Trás-os-Montes e
ao Olival.

A crescente importância económica do burgo episcopal começa a
despertar a cobiça dos poderosos e com eles a dos reis. E as lutas
começam. As disputas entre reis e bispos pelo controlo dos recursos da
cidade, nomeadamente dos rendimentos da actividade portuária
permanecem até ao reinado de D. João I, quando acordou com a Mitra a
passagem definitiva do senhorio.

Entretanto a cidade continua a crescer e é no reinado de D. Afonso IV
que é mandado edificar uma cinta de muralhas destinadas a proteger o
pequeno burgo, esses muros ou muralhas que circundavam e defendiam o
velho burgo portucalense existiam ainda no século XVII, da sua
constituição faziam parte as portas: a Porta dos Carros, de Santo
Elói, do Olival, da Esperança, do Sol e a Porta Nobre . No seu
percurso a porta principal era o Arco de Vandoma, situado a nascente
do citado burgo e a encostar no largo da Sé e na rua Chã daí inclinava
o muro monte abaixo, ladeando as escadas das verdades onde se
encontrava a Porta das Mentiras, aqui o muro torneava o Alto do
Barredo e angulava o rio da vila que desaguava a descoberto na rua de
S. João, que hoje em dia ainda conserva o mesmo nome, rasgando o arco
de Sant'Ana das Aldas e o arco de S. Sebastião onde recurvando fechava
o circuito do muro, muro este que é mais conhecido por Muralha
Fernandina (ver 1ª foto ao lado).

Cedo o Porto demonstrou o seu grande potencial na construção naval,
quer a nível industrial, quer comercial. A esse potencial não são
alheias as ligações inquebráveis que o Porto possui com o Douro e com
o Atlântico.

Assim pelo século XIV adiante foi o Porto o principal centro português
de construções navais.

Envolto nos enredos do mar, lançado na imensidão dos oceanos em busca
de novas paragens, navios, marinheiros e população integraram
interesses e esforços de muitas formas e, logo aquando da expedição à
conquista de Ceuta, o infante D. Henrique, nascido na Invicta, ali
organiza uma formosa esquadra que levou a juntar-se ao rei que
esperava em Lisboa antes de partirem par o Norte de África.

E foi por tal empenhamento que os portuenses receberam a alcunha de
Tripeiros, pois segundo contam, o comprometimento do povo levou a que
fornecessem as naus e galeras com as carnes ficando apenas as tripas
como alimento dos que por cá ficaram.

Como louvores dos feitos prestados, muitos foram os portuenses que
inscreveram os seus nomes na história.

Ao longo da história o Porto foi sempre muito cobiçado, pelas
riquezas, privilégios, autonomia e tradição que o caracterizavam, mas
com o Foral Manuelino (ver 2ª foto ao lado) de 20 de Junho de 1517 o
Porto perdeu grande parte dos seus privilégios, sendo D. Manuel
considerado o rei inimigo, que deu inicio à mesquinha, absurda e
funesta política da centralização dos poderes e serviços. Contudo o
povo portuense sempre honrou o seu caracter colectivo, através do seu
espirito de independência e o seu amor à liberdade.

Muito marcada pelo desaire do período filipino, é já no século XVIII
que de novo atinge as alturas dos pergaminhos de cidade empreendedora.
Renovando as industrias correlativas derivadas das velhas actividades
mercantis de cabotagem e longo curso.

Mas o engrandecimento da cidade não resplandece apenas nas actividades
comerciais, expandindo-se às artes, como é o barroco nasoniano marcado
em alguns templos da cidade.

Uma das características deste estilo é o recurso à policromia e à
exuberância das formas, bem como a conjugação de revestimentos a ouro
com a pintura e o azulejo criando ambientes de rara beleza.

Em 1755 o Porto é marcado por um terramoto que apenas provocou
pequenos estragos, na sequência da reconstrução de Lisboa, a
influencia inglesa e a acção dos Almadas, trazem para a cidade um
surto de engrandecimento admirável.

Sobrecarregada com a crise da tecelagem, mas apoiada no comercio do
vinho do Alto Douro, trazido rio abaixo e embarcado no Porto, facto
que se traduziu no nome pelo qual esse vinho é conhecido, a cidade vê
aumentar ainda mais o seu núcleo populacional com colónias de ingleses
e outros europeus que se estabeleceram e radicaram na cidade.

No século XIX o Porto é massivamente modernizado através de novas
ideias, riqueza acrescida, força empreendedora, um deslumbrante escol
de gente de saber, políticos, capitais e sobretudo a inegável força
popular, afeita ao trabalho, resistente e ciosa dos seus pergaminhos
de independência e liberdade.

Os portuenses intervêm repetidas vezes nos próprios destinos políticos
da Pátria. Sofreram a ocupação dos invasores, não se aquietando na sua
expulsão, retendo-lhes as ideias mais benéficas, não admitindo
tutelas, defendendo-se com armas, vidas e bens.

Com uma determinação impar, a cidade foi crescendo, organizando-se
administrativa, financeira e culturalmente, constituindo-se numa
capital regional que ainda hoje é.

Ao longo do século XX o cunho que a caracterizou sempre manteve-se e
hoje a cidade está populacionalmente estabilizada.

Dela partiram as primeiras acções republicanas, sendo simultaneamente
um dos grandes pilares políticos e económicos do País. E ainda foi o
pólo de crescimento industrial significativo quer internamente, quer
nas regiões vizinhas.

Assim falar do Porto é começar sem nunca conseguir terminar de relatar
todos os seus feitos, tradições, costumes, belezas...

A cidade velha de séculos, contrastante com o fervilhar de actividades
e ideias não se pode nunca destituir das gentes que lhe dão vida,
caracter e cunho.

Gentes de linguagem marcada, sonora e garrida, trabalhadora e
entusiasta, vibrante com seus ídolos desportivos, áspera e livre na
crítica e jubilosa nos folguedos.

O Porto congrega, cria, difunde densos cambiantes de contrastes sendo
por isto o símbolo portuguesíssimo de um progresso que não se
envergonha do passado mas nele sustenta o futuro.

Por tudo isto é considerada a mais imponente cidade do Norte merecendo
a justa classificação de Património Mundial.

Um símbolo, uma cidade

Muitas foram as alterações deste marco representativo da cidade, muito
embora seja de apontar que a sua estrutura básica se manteve ao longo
de diferentes reinados apenas tendo sido acrescentado pormenores
artísticos e caracterizadores desta tão bela cidade situada nas
margens do Douro que carinhosamente molha os pés dos portuenses.

O original brasão da Invicta representava « uma cidade de prata, em
campo azul sobre o mar de ondas verdes e douradas».

Em 1517 sofre a primeira alteração, ao qual foi incluído ao imagem de
Nossa Senhora de Vandoma, com o menino Jesus nos braços sobre um fundo
azul e entre duas torres.

Em 1813 e aquando da Segunda modificação, a imagem de Nossa Senhora
aparece ainda ladeada por duas torres encimadas por um lado por um
braço e por outro por uma bandeira.

Em 1834 no reinado de D Pedro IV ao brasão foi introduzido uma
inscrição « Antiga, mui Nobre sempre Leal e Invicta cidade».

Este brasão era então constituído por um escudo esquartelado, cercado
pelo colar da Ordem da Torre e Espada, tendo nos primeiros e quartos
quartéis as armas de Portugal e nos segundos e terceiros as antigas
armas da cidade. Encimava o escudo um dragão verde assente numa coroa
ducal, sobressaía uma longa faixa com a legenda Invicta.

A ultima alteração, em 1940, do brasão dá-lhe a forma actual conhecida
por todos, representado pelas armas. Apresenta-se assim de azul com um
castelo de ouro, constituído por um muro ameado e franqueado por duas
torres ameadas, aberto e iluminado a vermelho, sobre um mar de cinco
faixas ondeadas, sendo três de prata e duas de verde.

Sobre a porta assente numa mesura de ouro a imagem da virgem com
diadema na cabeça, segurando um manto azul e com o menino ao colo,
ambos vestidos de vermelho, acompanhados lateral e superiormente por
um esplendor que se apoia nas ameias do muro.

Em destaque dois escudos de Portugal antigo. No cimo uma coroa mural
de prata, de cinco torres e um coral da ordem militar da Torre e
Espada, do Valor e do Mérito.

A listel branco a inscrição « Antiga, mui Nobre sempre Leal e Invicta
cidade do Porto».

(Por Patrícia Rosas, para o grupo: tradicional@googlegroups.com)

publicado por tradicional às 00:52
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